Reflexões de Kishimoto

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Trajetória de Naruto refletia a infância de Kishimoto.

Autora: Mel Nascimento (Diretora de Notícias) do site noticiasanimeunited.com.br

00O site do jornal japonês Asahi Shimbun lançou uma página especial para Naruto, na qual pode-se ver algumas imagens de Kishimoto e Naruto, além de uma série de reportagens feita pelo jornal para homenagear o autor e sua obra e parabeniza-lo pelos 15 anos de seu sucesso.

A versão em inglês do site Asahi Shimbun traz mais uma entrevista feita com Masashi Kishimoto, na qual ele faz reflexões sobre sua infância, seus sonhos e sua vontade de quebrar tabus dentro do universo de shounen mangás:

Durante sua infância as pessoas riam de Masashi Kishimoto quando ele dizia que seu sonho era se tornar um artista de mangá. Agora, o sonhador que criou uma das mais populares e bem-sucedidas séries de mangá sobre ninjas de todos os tempos, pode gabar-se de uma legião de fãs ao redor do mundo. Ainda assim, Kishimoto permanece humilde. E diz que se surpreendeu até mesmo de que pode entrar no negócio de mangá.

A ascensão de Kishimoto para o estrelato se assemelha a jornada de Naruto, o personagem principal da série de mangá “Naruto,” que acabou com a sua espetacular jornada de 15 anos na antologia de quadrinhos Weekly Shonen Jump em 10 de novembro.

Naruto teve que superar suas decepções iniciais para finalmente realizar seu sonho de se tornar “Hokage”, o grande líder de sua vila ninja.

“(Naruto) é semelhante a mim em alguns aspectos”, disse Kishimoto na entrevista exclusiva com o Asahi Shimbun. “Eu também adoro ramen.”

O mangaká disse que o personagem Naruto, que foi deixado para trás por seus companheiros, refletia sua própria infância.

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“Eu era incapaz de me sair bem na escola e sentia um forte sentimento de inferioridade”, disse ele. “Quando Naruto disse, ‘eu vou ser Hokage’, as pessoas que o cercavam riram de seu sonho. Desde a infância, eu também disse a outros que eu seria um artista de mangá, mas não tinha fundamento. Ao contrário de Naruto, eu não tive a coragem de declarar que iria me tornar um mangaká a todo custo. Então, eu só dizia na minha cabeça ’Pode ser possível’.”

Kishimoto disse que sua carreira no mundo dos quadrinhos foi algo inesperado.

“É inacreditável que eu esteja trabalhando como um dos mangakás que têm de escrever histórias e retratam muitos personagens, porque eu era fraco nesse tipo de disciplina na escola”, disse ele. “Eu não poderia responder perguntas que requeriam aos estudantes adivinhar sentimentos de personagens em histórias nos exames escolares.”

Naruto é bem conhecido por seu dialeto único “dattebayo”, que às vezes é traduzido como “acredite”. No início, ele era visto como alguém que largou a academia ninja. Mas o jovem ninja cresce tanto mentalmente e fisicamente através de interações com amigos e batalhas com inimigos.

A série conta com o combate corpo-a-corpo, artes de ilusão e batalhas de inteligência. Sapos enormes, que desempenham um símbolo comum no Kabuki tradicional, também aparecem nas cenas de ação que ganharam grande popularidade, tanto em casa e no exterior. A série já vendeu mais de 200 milhões de cópias em todo o mundo.

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mesa de trabalho possui os volumes de seu manga – seu ateliê em Tokyo, Shibuya Ward.

Naruto não derrota seus inimigos através apenas da força; ele também usa palavras para conseguir a vitória. Kishimoto citou a persuasão verbal de Naruto para conseguir que Pain, um dos seus principais inimigos, parasse de lutar.

“Mangás shounens inevitavelmente apresentam cenas violentas. Mas eu queria dizer (aos leitores) que os inimigos que recorrem à violência, provavelmente, o fazem por motivos de força maior “, disse Kishimoto. “E se (os protagonistas) derrotá-los sem compreender a sua motivação, ele pode acabar levando a uma repetição da mesma coisa. Terminar uma batalha através do diálogo pode ter sido quase um tabu em quadrinhos para meninos”, disse ele.

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Kishimoto disse que “Naruto” se distingue também na forma como o herói persegue o caminho para o seu sonho. “Na maioria dos o mangás shounen, o protagonista normalmente atinge um crescimento dinâmico nos primeiros episódios e continua a se comportar da maneira que acredita ser bom e afetam outros personagens”, disse o mangaka. “Mas Naruto enfrenta o desafio de como ele pode criar um mundo onde não há conflitos, enquanto ele luta contra Pain. Eu poderia tê-lo feito seguir o seu caminho, sem agonia, mas eu pensei que seria errado em alguns aspectos “. Kishimoto também teve de superar muitas dificuldades antes de seu grande sucesso com “Naruto”.

Embora ele já houvesse ganhado um prêmio mangá, Kishimoto passou dois anos lendo livros sobre como descrever cenários e estudou diálogo em filmes para aprender sobre a estrutura de criação da história e técnicas de direção. Ele também estudou pintura a óleo em uma faculdade de artes. Só depois de todo esse trabalho que Kishimoto começou a série “Naruto” na revista Shonen Jump.

“A vida é colorida”, disse Kishimoto. “É a realidade de um protagonista enfrentar obstáculos.”

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Na coluna de comentários da revista Jump, do dia 10 de novembro, o criador do mangá se despediu: “Otsukare-sama dattebayo!” (Bom trabalho dattebayo!)

Texto retirado na integra do site The Asahi Shimbun, todavia foi uma tradução livre.

+ Cafézinho do Editor

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